Surpresa e alegria na vitória contra a ansiedade

Surpresa e alegria na vitória contra a ansiedade

Quero compartilhar hoje com vocês a história de Luara, uma jovem de 26 anos, casada, mãe de dois filhos, que participou de um minicurso que realizei ensinando um passo a passo para combater a ansiedade.

O curso aconteceu há cerca de quatro semanas e foi totalmente online, com envio de vídeos e trocas de mensagens com os participantes.

Antes do curso, Luara vivia reclamando de dores pelo corpo, falta de ar, coração sempre acelerado e o que mais a incomodava: não conseguia dormir mais de 2 horas por noite.

Descrença e descoberta

Iniciei o curso na segunda-feira de manhã ensinando a técnica da respiração diafragmática. Porém, assim que recebeu o áudio, Luara imediatamente respondeu que não acreditava que uma mudança em sua maneira de respirar iria ajudá-la de qualquer maneira. Para ela, isso “seria fácil demais”.

Pedi a ela que me desse um voto de confiança e tentasse pôr em prática a respiração da maneira que eu havia colocado no cronograma. Ela aceitou e, durante o dia, não fez mais contato.

Na terça-feira, por volta das 7h40, recebo uma mensagem de Luara dizendo que, durante o exercício de respiração, não sabia dizer qual horário, pegou no sono e dormiu a noite inteira. Aquilo a havia surpreendido. É importante ressaltar que, como parte do curso, eu mesmo gravei um áudio guiando a todos que participaram do projeto para que executassem os exercícios da maneira correta.

Para a terça-feira, além da respiração, entramos com mais duas técnicas: o relaxamento e o questionamento de pensamentos. Já empolgada, Luara foi rapidamente fazer os exercícios e encontrou o primeiro problema: na hora de questionar seus pensamentos automáticos, sentiu um grande aperto no peito e resolveu não fazer o exercício, deixando-o de lado. Concluiu os exercícios de respiração e relaxamento, mas ficou em falta com o questionamento.

Na quarta-feira, conversamos pela manhã e, quando descobri o ocorrido, expliquei-lhe a importância de concluir o exercício de questionamento, pois, sem ele, não seria possível continuar no processo, já que ele era a base para que as próximas atividades fossem executadas com perfeição.

Sabendo disso, Luara se comprometeu a realizar as tarefas, não só a do questionamento, mas também as do dia, que consistiam em respiração, relaxamento (essas que a partir de então seriam praticadas todos os dias, a respiração no período da manhã, por cerca de 5 minutos e, à noite, a respiração juntamente com o relaxamento, por volta de 20 minutos) e memória escrita, na qual Luara deveria se lembrar de alguns fatos acontecidos com ela.

Quinta-feira, umas 16h, Luara entrou em contato comigo me agradecendo imensamente por ter permitido que ela participasse do projeto.

Então relatou que questionou pensamentos e percebeu que por vezes sofria de maneira exagerada em situações de simples resolução ou que não tinham tanta importância. Comentou que, ao realizar a atividade de memória escrita, no início era algo que a sufocava, mas então ela praticava a respiração e, com o passar do tempo, aquilo começou a lhe dar alívio de uma maneira extraordinária, como se tirasse um peso de suas costas.

Ela também me contou que, naquele mesmo dia, na parte da manhã, havia se inscrito em um curso de cabeleireiro do qual estava quase perdendo o prazo. Isso me deixou muito contente porque mostrava claramente uma evolução rápida da aluna em situações que a atormentavam há anos.

No sábado, penúltimo dia do nosso projeto, Luara deveria corrigir as listas confeccionadas nos dias anteriores. Na quinta tinham sido as listas “Tenho e desejo” e “Não tenho, mas desejo”. Na sexta, as listas foram “Tenho e não desejo” e “Não tenho e não desejo”.

Luara contou que foi um processo muito difícil confeccionar as listas, mas que conseguiu observar melhor aspectos da sua vida e anotou tudo isso em sua agenda. Ou seja, por conta própria, a aluna acabou fazendo uma agenda com os acontecimentos da semana, bem como pessoas com quem queria falar, atividades que queria voltar a realizar etc.

No domingo, último dia do nosso projeto, enviei logo pela manhã o último vídeo, explicando a técnica da exposição imaginária. Nessa atividade, Luara deveria imaginar algumas situações que lhe causassem ansiedade e ir modificando-as de maneira que conseguisse enfrentá-las sem se esquivar ou fugir.

Assim que recebeu o vídeo, Luara já me agradeceu imensamente pelo projeto. Disse que não sabia como era possível modificar tanto seu comportamento em tão pouco tempo e que estava muito feliz por ter reencontrado o caminho para sair “daquele poço escuro”.

Agradeci os elogios e instruí que, mesmo ao fim do projeto, ela continuasse colocando em prática as técnicas para que cada vez mais ela conseguisse melhorar.

Já terminado o curso, na semana seguinte, recebi dela um vídeo de agradecimento que me deixou contente.

Nesse vídeo, ela disse que, durante a técnica de exposição imaginária, combateu o maior medo que tinha: o de falar em público. Disse que trabalhou esse medo no domingo e na segunda-feira e que a prova de que ela havia conseguido executar a tarefa era exatamente gravar o vídeo e me enviar como forma de agradecimento. Disse ainda que aquilo era “muito bom” para ela, porque por diversas vezes ela perdeu entrevistas de emprego por medo de falar em entrevistas com mais de uma pessoa e ser ridicularizada.

Objetivo do projeto

Desenvolvi esse projeto de minicurso, chamado “Protocolo 7”, por ter tido um certo incômodo: ao participar de grupos com a temática da ansiedade, sempre me deparo com o fato de pessoas desconhecerem o papel do psicólogo, sempre colocando que a única maneira possível de combater a ansiedade é com psiquiatras, à base de medicação.

Eu concordo que a medicação é importante e, em muitos casos, imprescindível para o sucesso do tratamento, mas é necessário combater os pensamentos automáticos tão presentes nos transtornos de ansiedade e que o remédio não é capaz de alcançar.

Por isso, me coloquei à disposição para mostrar que a psicologia pode ensinar como lidar com pensamentos, medos e demais questões internas que levam muitas pessoas a um quadro de transtorno de ansiedade.

Vale ressaltar que, antes de iniciar o projeto, todos os 158 alunos que participaram ficaram cientes de que o projeto não substituiria de maneira alguma o tratamento com psiquiatra, psicólogo ou outro profissional.

Expliquei também claramente a eles que esse projeto foi uma maneira de mostrar que é possível, através de técnicas psicológicas, combater, controlar e evitar as crises.

Além disso, indiquei a eles que procurassem um profissional (para os que ainda não estavam em tratamento) para poderem ter um acompanhamento capaz de ajudá-los nesse processo tão complicado.

A história de Luara somente coroa essa demonstração da importância do trabalho de um profissional para nos ajudar também quando estamos num quadro de transtorno de ansiedade.

Obs: Luara é um nome fictício.

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