Reconquistando o prazer de estudar e viver!

Reconquistando o prazer de estudar e viver!

Paola tem 25 anos e me procurou há cerca de três meses, por meio do atendimento online. Ela está no 9º semestre de medicina e mora em Pernambuco, onde fica sua faculdade.

A principal reclamação da estudante era sobre seu nível de estresse, situação que vem se agravando desde os seus 16 anos. Além disso, ela me contou que fazia seu curso “apenas por obrigação”, pois, se não terminar a faculdade, não será ninguém na vida.

Vale dizer que nem sempre foi assim. No início da faculdade, segundo me contou, ela achava muito prazeroso estar na sala de aula, nos estágios e em todas as atividades extracurriculares.

Paola é a mais nova dos 4 filhos, sendo todos bem-sucedidos. Dois moram fora do país e o filho que ficou no Brasil é um importante servidor público. Isso sempre mexeu muito com ela, que se sentia “obrigada a ser alguém para não decepcionar seus pais”. Isso pesava muito, pois, como ela “só” estudava, não tinha o direito de não ser a melhor da classe.

A estudante contou ainda ser perfeccionista demais, pois não consegue realizar nenhuma tarefa sem que o resultado esteja impecável. Isso acaba atrapalhando muito seu rendimento, deixando seus prazos extremamente apertados.

Uma das consequências disso é que, com prazos cada vez mais apertados durante seu curso de medicina, ela não conseguia “se desligar” nos momentos de descanso, o que a deixava totalmente exausta. Com o passar do tempo, começaram a aparecer alguns sintomas que a deixavam em pânico, como: sensação de fracasso, perda da vontade de se relacionar socialmente, falta de concentração, fadiga, insônia e fortes dores de cabeça.

Avaliação e tratamento

Após receber todas essas informações, ficou claro para mim que Paola estava sofrendo da Síndrome de Burnout, também conhecida como “Síndrome do Esgotamento Profissional”. Em resumo, no caso dela, o estresse pela pressão familiar e social, bem como o estresse gerado pela alta carga de estudos de sua faculdade estavam fazendo com que ela entrasse em colapso e não conseguisse desenvolver suas tarefas e objetivos.

Para o tratamento, comecei pedindo que Paola resumisse como enxergava sua vida. Após isso, pedi a ela que pensasse em ideias e ações que a ajudassem a diminuir seu ritmo. Com esse exercício, tecnicamente chamado de “contextualização”, descobrimos então que Paola tinha três janelas de tempo disponíveis em sua semana e decidimos iniciar atividades diferentes e que dessem prazer a ela.

Na primeira janela, às segundas-feiras, ela começou a praticar dança de salão. Nas quintas-feiras, introduzimos aulas de zumba e, às sextas, ela começou a praticar Muay Tay.

Outra técnica que utilizamos foi o “questionamento de pensamentos”, atividade na qual, em conjunto, refletimos sobre alguns pensamentos da estudante e, principalmente, sobre os comportamentos que surgem após esses pensamentos. Também organizamos melhor a agenda de Paola, reservando dias e horários para atividades prazerosas, como aquelas acima, bem como para passeios e demais tarefas.

Ainda estamos no processo de tratamento. Porém, já com 12 sessões realizadas, estamos felizes porque a Paola já possui outra visão relação à universidade. Ela até se inscreveu como aluna ouvinte de um programa de mestrado, para que consiga, após terminar seu curso, ingressar na pós-graduação na área que deseja.

Combinamos de começar a trabalhar suas questões familiares a partir da próxima sessão, pois compreendemos que sua pressão por ser bem-sucedida, vinda principalmente da sua família, foi o grande motivo que a levou ao quadro crítico em que se encontrava.

Trabalho e pressões sociais

É nítido que vivemos em um mundo focado em valores não humanos, valores mais ligados à qualidade da produção, ao lucro e à eficiência a qualquer custo do que à felicidade das pessoas.

Essa cultura é nociva e muitas vezes tira toda a nossa energia e nos coloca em espirais autodestrutivas como aquela de que Paola começa a sair.

Além da Síndrome de Burnout, há outros quadros psicológicos negativos que impedem as pessoas de se encontrarem felizes com aquilo que são e com aquilo que fazem.

Por isso, se você sente uma cobrança além das suas forças ou se não consegue encontrar uma harmonia saudável entre sua profissão e sua vida pessoal, procurar um profissional de psicologia pode ser um bom caminho.

Lembre-se: pedir ajuda é sinal de força e muitas vezes é tudo o que nos falta para irmos mais longe!

Obs: Paola é um nome fictício utilizado para proteger a privacidade da paciente, a história é verdadeira, mas foi acordado a mudança de nome.

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