Juliana contra o dragão da ansiedade

Juliana contra o dragão da ansiedade

Temos conversado bastante aqui no blog sobre os diagnósticos mais comuns nos dias atuais e sobre como a psicologia pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas ou mesmo fazê-las superar totalmente suas situações de conflito.

Esta semana, quero trazer uma história recente, bonita, que mostra a luta de uma moça de aproximadamente 27 anos para vencer seus medos e ansiedades.

Minha paciente se chama Juliana e, todos os dias, enfrentava 7 andares de escada no prédio onde trabalha, isso somente para evitar o elevador. Na verdade, de maneira geral, ela tinha um forte medo de lugares fechados. Além disso, só ia para o restaurante depois que o fluxo de pessoas diminuía e o local já estava mais vazio.

Mas seus problemas não se restringiam ao trabalho. Ela também evitava de ir à praia com seus amigos nos feriados, por ficar apavorada com a ideia de pegar trânsito na descida da serra e ficar parada dentro de um túnel.

Como Juliana morava longe, seu tratamento foi todo realizado a distância. Aliás, caso você tenha dúvidas sobre como funciona um tratamento psicológico online, temos um texto que explica tudo bem direitinho pra você.

Logo nas primeiras consultas, percebemos o motivo de tanto medo: quando era mais jovem, Juliana ficou presa dentro do elevador da faculdade e, desde então, não conseguia mais ficar em locais em que se sentisse apertada. Tecnicamente, seu quadro pode ser classificado como um estresse pós-traumático com fobia específica, no caso, a claustrofobia.

O tratamento

Como primeiro passo no tratamento, iniciamos com a respiração diafragmática. Essa é uma técnica preparatória, que a ajudaria a aprender a controlar os altos níveis de ansiedade aos quais ela seria exposta nas sessões seguintes.

Após duas semanas, Juliana já havia dominado a técnica e então passamos a aliar a respiração diafragmática com as técnicas de relaxamento. Dessa forma, já conseguíamos baixar consideravelmente os níveis de estresse da paciente.

Começamos então a fase da dessensibilização. Nesta parte do tratamento, pedi para a paciente construir uma lista com situações que lhe causavam desconforto e dar notas de 0 a 10, sobre o quanto ela ficava ansiosa com a situação (por exemplo: andar de ônibus – 2, descer até a praia – 8, entrar no elevador – 9, subir de elevador – 10).

Com a lista em mãos, começamos um treinamento imaginário, a chamada “dessensibilização”. Nessas seções, Juliana imaginava ativamente as situações em que se sentia ansiosa, começando da menos ansiosa até a mais ansiosa. Nesse tipo de atividade, o paciente experimenta as principais situações que podem ocorrer, mas dentro de um ambiente seguro.

Após cinco semanas do início do tratamento, Juliana já dominava as técnicas de dessensibilização (tendo baixado seu grau de ansiedade em todas as situações).

O passo seguinte do tratamento foi a chamada “exposição”, fase em que o paciente passa a enfrentar as situações trabalhadas anteriormente. Para isso, Juliana elegeu uma amiga de confiança para acompanhá-la nesse processo e refez uma a uma as situações que a deixavam ansiosa. Vale destacar que, desta vez, as notas já não eram tão elevadas em alguns casos. Andar de ônibus, por exemplo, tinha 1 na escala de 1 a 10; descer até a praia, 3; entrar no elevador, 5; e subir de elevador, 6.

O primeiro desafio de Juliana na fase de exposição foi um passeio de ônibus, porém ela me relatou não sentir nenhum sintoma de ansiedade.

O próximo item foi “descer para o litoral”, e a sorte ajudou, pois chegaria logo um feriado. No dia da viagem, entretanto, a paciente mostrou-se um pouco tensa, com pequenos temores e suor excessivo.

Dessa vez, no entanto, ela estava preparada. Partiu logo para a respiração diafragmática e usou a técnica de relaxamento antes de entrar no carro. Com os níveis de ansiedade mais baixos, ela e os amigos iniciaram a viagem.

Mas a viagem não podia ser completa se não tivesse um congestionamento no túnel, e eis que aconteceu! Porém, como Juliana estava conversando com amigos, dando risada e tudo mais, não teve nenhum sintoma. Foi assim tanto na descida quanto na subida, e ela ficou radiante por ter enfim conseguido participar de um fim de semana com seus amigos.

Para alegria do terapeuta (\o/), o próximo passo a paciente deu sozinha. Iniciamos a seção e ela disse que havia entrado num elevador e subido até sua sala, e disse ainda que a sensação era ótima! Contou também que, antes de sair de casa, praticou as técnicas de relaxamento e respiração diafragmática, controlou os sintomas de estresse que apareceram e foi para o serviço determinada a vencer seus medos.

A nova Juliana

Estamos em março de 2019 e contamos com 12 semanas do início da nossa história.

Juliana já não apresenta mais quadros de ansiedade e, sempre que pode, pratica as técnicas ensinadas, para se manter longe das crises.

Aliás, o tratamento continua, mas para resolver outras questões de cunho pessoal.

Qual a sua história?

Minha paciente me liberou para contar sua história, e só combinei de trocar seu nome, que aqui virou “Juliana”. É uma história real de uma conquista real!

Conte pra gente o que você achou da história, deixe suas dúvidas e sugestões! Você ou alguém que você conhece apresenta sintomas parecidos com os de Juliana? Será um prazer conversarmos um pouco mais!

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