Como identificar e buscar ajuda para o ciúme patológico

Como identificar e buscar ajuda para o ciúme patológico

Há cerca de quatro anos, a inglesa Debbi Wood virou uma celebridade mundial ao ser taxada como “a mulher mais ciumenta do mundo” por um jornal local. Entre outras curiosidades, pesava contra ela o fato de ter comprado um detector de mentiras para interrogar seu marido toda vez que ele chegava em casa.

Como sabemos, o ciúme é um sentimento extremamente comum, embora não existam estudos que deem uma ideia da porcentagem da sua presença na população. Mas podemos dizer que ele se caracteriza por: 1) ser uma reação frente a uma ameaça percebida; 2) haver um rival real ou imaginário e; 3) a reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.

Até aí, trata-se do ciúme comum.

Mas, e quando o ciúme excede qualquer base de racionalidade e desemboca em ações exageradas, como a de Debbi, ou trazem sofrimento desmedido à pessoa que sente, bem como a seu companheiro ou companheira?

Entendendo o ciúme patológico

Neste caso, estamos falando do “ciúme patológico” ou “mórbido”, muitas vezes chamado “Síndrome de Otelo”, em virtude do personagem de Shakespeare que, tomado de um ciúme doentio, assassina sua própria esposa, Desdêmona.

Vale dizer que, em termos clínicos, não podemos falar em uma síndrome única. Na verdade, há diversos tipos de quadros. Em comum, eles compreendem vários sentimentos perturbadores, desproporcionais e absurdos, os quais determinam comportamentos inaceitáveis ou bizarros.

Além disso, todos os quadros envolvem um medo desproporcional de perder o parceiro para um rival, além de desconfiança excessiva e infundada, que gera prejuízos em casa, no trabalho e em toda a vida social.

No ciúme patológico, são diversas as emoções experimentadas, como ansiedade, depressão, raiva, vergonha, humilhação, culpa e desejo de vingança. Vulnerável e muito desconfiado, com autoestima muito rebaixada, o portador tem como defesa um comportamento impulsivo, egoísta e agressivo.

Elementos ligados ao ciúme patológico

  • Crença superestimada sobre a infidelidade do parceiro
  • Medo desproporcional de perder o parceiro ou espaço na vida dele
  • Absurdo e irracionalidade na avaliação da infidelidade ou nas reações a ela
  • Evidência de prejuízos sociais causados pelo ciúme
  • Presenças de ideias obsessivas, prevalentes ou delirantes sobre a infidelidade

Quadros em que o ciúme patológico pode aparecer

É importante saber que o ciúme patológico pode aparecer relacionado com qualquer outro diagnóstico psiquiátrico. É o caso por exemplo de psicoses orgânicas, distúrbios paranoides, psicoses alcoólicas e esquizofrenias.

Em pacientes ambulatoriais o ciúme patológico relaciona-se em grande parte a quadros depressivos, ansiosos e obsessivos. Nas mulheres, há incidência maior na gravidez e menopausa. Há estudos ainda que indicam a prevalência do ciúme patológico no alcoolismo, girando em torno de 34%.

Existe também o ciúme patológico em sua forma pura, sem alucinações ou deterioração da personalidade, mas é bem raro que ele apareça dessa forma, estando em geral relacionado a outros quadros. Há inclusive diversos estudos que relacionam o ciúme doentio como motivo da obsessão em casos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Importância de um diagnóstico correto

Como pudemos perceber, o diagnóstico do ciúme mórbido não é nada simples, havendo uma grande gama de quadros e doenças relacionadas. Por isso, trata-se de uma situação em que é imprescindível a ajuda de um profissional.

Se você passa por um quadro parecido ou conhece alguém para quem o ciúme tornou-se uma fonte de dor e prejuízos sociais, não deixe de procurar ou indicar a procura de um psicólogo.

Para cada quadro, há um tratamento diferente que pode proporcionar as condições para que a pessoa recupere da melhor maneira suas condições de se relacionar e ter uma vida saudável. Com amor, sim, mas com um ciúme que não seja possessivo nem agressivo.

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