A importância de buscar um tempo para ser melhor

A importância de buscar um tempo para ser melhor

Quero compartilhar hoje com vocês a história de Vanessa, de aproximadamente 29 anos, solteira, e que trabalha com crianças refugiadas em Dollo, na Etiópia. Formada em pedagogia, ela é responsável pela alfabetização de meninos e meninas entre 10 a 15 anos.

Vanessa conta que, no início, sentia um prazer imenso de “estar lá praticando o bem”. Porém, com o passar do tempo, ao ver inúmeras crianças chegando machucadas e em alguns casos sem alguns membros, isso começou a afetá-la de uma maneira que nunca tinha vivenciado antes.

Vanessa contou que sofria constantes ataques de pânico e que aquilo estava começando a atrapalhá-la no seu serviço. Seu trabalho é voluntário e a paixão de sua vida, mas os ataques começaram a fazer com que ela faltasse muito e isso poderia prejudicá-la. Vale dizer que, mensalmente, a unidade onde o voluntário desenvolve suas ações faz um relatório de performance e o envia para as organizações “mães” que arcam com alguns gastos desses voluntários em outros países.

Vanessa soube então pela internet do programa Protocolo 7, e resolveu participar da turma que teve início no dia 6 de maio, uma segunda-feira, e que durou uma semana.

Descrédito e fuga

Ao receber as primeiras técnicas, que eram a de respiração diafragmática e o relaxamento progressivo, Vanessa não deu tanta credibilidade e não seguiu o protocolo que foi passado para ela.

Entretanto, a voluntária fazia parte de um dos grupos que formei para troca de informações entre alunos do protocolo e para que eu pudesse passar algumas informações gerais, sem ter que enviar uma a uma no particular.

Isso fez com que, em virtude de observar alguns relatos de melhoras significativas de outros participantes, no decorrer do curso, Vanessa resolvesse tentar pôr em prática as técnicas.

Ela iniciou a respiração diafragmática na quinta-feira e estava melhorando. Infelizmente, com a chegada de novas crianças, utilizou um gatilho presente na ansiedade, que é o de “fuga/esquiva”, para poder pausar as técnicas novamente. Segundo a voluntária, com as novas crianças, ela não teria tempo para prosseguir com as técnicas. Disse que, “assim que pudesse”, voltaria a tentar fazer o Protocolo.

Choque de realidade

O curso chegou ao fim e Vanessa não respondia minhas mensagens até que, em uma quarta-feira (22/05), ao ler o depoimento de um membro do grupo, ela decidiu fazer contato novamente e me chamou, perguntando se eu poderia passar algo para que ela pudesse aplicar e que não levasse tanto tempo.

Nesse momento, de uma maneira séria e objetiva, expliquei que o que eu poderia oferecer para ela naquele momento eram as técnicas que havia passado no início do curso. Disse ainda que dependia somente dela mudar sua situação, que eu indiquei o caminho, mas não poderia percorrê-lo por ela.

Vanessa pareceu um pouco chocada com a situação. Porém começou a praticar a respiração diafragmática e a técnica de relaxamento diariamente.

Na sexta-feira da semana passada, ela entrou em contato. Disse que estava conseguindo controlar os ataques de pânico através da respiração diafragmática e do questionamento de pensamentos. Falou também que a técnica do relaxamento progressivo a estava ajudando a dormir.

Perguntei então sobre as demais técnicas e ela disse que, quando chegou o momento da técnica da memória escrita, achou muito dolorosa, mas que estava satisfeita em conseguir controlar as crises de pânico e que aquilo já havia feito uma diferença enorme na vida dela. Disse que seria eternamente grata a mim porque já não faltava mais em seus compromissos.

Depende de você

Hoje quis trazer essa história, que não teve um sucesso completo, para deixar o alerta de que nós somos os responsáveis diretos pelas nossas memórias e ações.

Assim como outros alunos seguiram o protocolo e, realizando as tarefas como deveriam, obtiveram bons resultados, alguns alunos acabaram sendo pegos pelo gatilho mais utilizado pela ansiedade, que é o da procrastinação. As técnicas passadas não levavam mais de 30 minutos diários e, mesmo assim, em alguns casos, os alunos alegaram não terem tempo.

Sempre deixo claro, tanto no Protocolo 7 quanto nos atendimentos presencial e online, que necessito da ajuda do paciente para trilhar o caminho do sucesso. Se ele não se dedicar para a melhora dele mesmo, as chances de que o resultado não seja satisfatório são imensas.

Vanessa foi uma aluna que poderia ter se dedicado um pouco mais para encontrar um pequeno espaço de tempo para realizar as tarefas. Porém, como aquilo mexeu em dores suas, preferiu optar pela melhora instantânea que algumas técnicas proporcionam, evitando o combate às verdadeiras causas da ansiedade.

Mesmo assim, obteve bons resultados no controle das crises de pânico, o que prova mais uma vez a eficácia do tratamento.

Eu, como psicólogo e ser humano, não vou desistir da Vanessa. Por fim, gostaria de deixar um conselho que pode servir para muita gente: reveja sempre suas prioridades. Às vezes, você só precisa diminuir um pouco sua interação nas redes sociais para que possa aplicar ações que realmente vão trazer uma melhora enorme para a sua vida.

Deixe uma resposta